Novos Rumos

14 Maio 2008

Continuando o espírito aventureiro, intrínseco a todo motociclista de estrada, estamos planejando novas viagens. No momento, existem várias possibilidades. Duas delas são as favoritas: Cuzco, no Peru, ou então um giro completo pelo nosso país, saindo de Florianópolis com destino a Belém do Pará, viajando interior e retornando pelo litoral brasileiro.

O que se pretende, neste momento é colher sugestões de nossos leitores, para podermos montar um novo roteiro de viagem, que ocorrerá futuramente. A palavra está abertá. Tu, leitor, já viajaste para algum lugar interessante que recomendaria a motociclistas de espírito aventureiro? Estamos abertos a sugestões e debates…

 

Celso

 


Chegada

25 Janeiro 2008

Quer ouvir histórias sobre o Fim do mundo, gatunos, uruguaios, motociclistas que atravessam a América, argentinos, chilenos, Malvinas??? Pois procure o Celso ou o Dalgio. Eles já chegaram em Floripa! Estão lá desde às 18h30min.


É hoje!!!

25 Janeiro 2008

Comprem carne, coloquem a cerveja pra gelar, porque é hoje, 25 de janeiro, que Celso e Dalgio chegam a Florianópolis, depois de 24 dias e cerca de 10 mil quilômetros de viagem!!! Nossos motociclistas saíram de Porto Alegre às 10h e devem chegar na Ilha de Santa Catarina por volta das 17, 18h. Faltam poucas horas, portanto.

O 24 de janeiro deles
No penúltimo dia de viagem, Celso e Dalgio se superaram. Eles enfrentaram nada menos que 15 horas de viagem, de Buenos Aires a Porto Alegre. Direto! Pelo caminho mais curto, entraram no Brasil por Jaguarão, cidade entre o Chuí e Bagé.
Chegaram na capital gaúcha às 20h30min e se instalaram na casa da mãe do Celso. Em seguida, jantaram com o filho do Celso – que é a pessoa que escreve nesse blog – para contarem umas novas e mostrarem as fotos.

Minhas impressões
Para quem tinha passado o dia viajando, os dois estavam ótimos. Notavelmente felizes, por terem chegado e pela picanha servida, contaram-me as suas impressões do Ushuaia, dos argentinos, dos motociclistas e mais um monte de coisas. Em breve, eles mesmos publicarão seus relatos aqui. Aguardem.
Ah, já baixei as fotografias no computador. Terei muito trabalho pela frente. São três cds, um pen drive de 1GB e mais as fotos que ainda estavam na câmera. Calculo, chutando por cima, que devem ter cerca de 1000 imagens. Nem todas, por questões logísticas e de edição, estarão na internet. Prometo, no entanto, colocar o máximo possível. E logo!


Volta rápida ou saudades de casa?

24 Janeiro 2008

Nada de novo no front. Celso e Dalgio estão de vento e popa retornando para casa, seguindo praticamente pelas mesmas cidades da ida. Confira o e-mail que Celso enviou abaixo – entenda ‘primeiro’, ’segundo’ dia como uma nova recontagem desde que eles começaram a voltar. Na verdade, o primeiri dia equivale ao 20º de viagem e assim por diante:

“Não há muitas novidades a respeito do retorno. Saímos do Ushuaia, atravessamos as quatro fronteiras, o ripio e a balsa, conseguimos chegar a Rio Gallegos, no primeiro dia, depois de 600 Km rodados: 12 horas na estrada,

No segundo dia, seguimos de Rio Gallegos, alcançamos Comodoro Rivadavia em 10 horas de viagem, 800 Km. Queríamos seguir mais um pouco, mas não foi possível, pois a próxima cidade após Comodoro é Trelew, que fica a quase 400 Km de distância.

No terceiro dia, fomos de Comodoro Rivadavia ate Viedma, Capital da Provinciade Rio Negro, rodando 850 Km, em 12 horas.

No quarto dia rodamos 1000 Km, atingindo Buenos Aires, a meia-noite de ontem (22 de janeiro).”

Na manhã de ontem, estava programada a troca de pneu da moto do Celso – que se desgastou totalmente – e depois Uruguai a dentro rumo ao norte. Ainda hoje, 24 de janeiro, eles devem entrar em solo brasileiro.


19º dia – pé na tábua ou mão ao manete

21 Janeiro 2008

     No domingo, 20 de janeiro, o grupo de motociclistas dividiu-se. Os brasileiros rumaram para Comodoro Rivadavia e os estrangeiros, Thomas e Giovanni, foram para El Calafate. O próximo encontro deles será somente em Florianópolis, em algum churrasco comemorativo. Isso se o acaso não os unir antes, pelas rutas de la vida.
     O dia todo foi de viagem na estrada. Da mesma forma que será esta segunda, 21. Celso e Dalgio já estão com saudades dos familiares, afinal, já são 19 dias longe das praias da Ilha de Santa Catarina.

Trajeto:
A volta será mais rápida que a ida, mas o caminho será quase o mesmo. Com exceção da parte uruguaia. Na ida, eles foram pelo meio do território charrua. Agora, vão voltar pelo litoral, passando por cidades como Montevideo e Punta del Este. Eles vão passar na frente do maior cassino do Uruguai, o Conrad. De repente, até conseguem uma graninha a mais do que a outra vez, quando pagaram uma janta. Ou, talvez, tenham que lavar pratos.


18º dia – rumo ao norte!!!

21 Janeiro 2008

     A partir de agora, é volta pra casa. Rumo ao norte! Celso e Dalgio colocaram o Ushuaia no retrovisor na manhã de sábado. O objetivo do 18º dia da expedição era Rio Gallegos. Viagem tranqüila, quase sem o onipresente vento. O bom é que eles descobriram uma rota para cruzar as estradas de ripio. Chão batido, é verdade, mas bem melhor, o que possibilitou uma velocidade de cruzeiro a 80km/h. Eles passaram o dia inteiro sobre a moto e cruzaram duas aduanas: Argentina-Chile e Chile-Argentina.
     Numa das fronteiras, nova amizade: Giovanni, um italiano que mora na Costa Rica. Juntou-se ao a dupla, que nessa altura já tinha se transformado em trio com o canadense Thomas. Mundo globalizado, não?! 


Olha o passarinho!

21 Janeiro 2008

Ah, o álbum de fotos foi atualizado. Não tá tão beeeem atualizado assim, mas já há bem mais fotos do que dois dias atrás. Tem umas fotos bacanas do Perito.
O site é http://picasaweb.google.com/nbtiago


17º dia – histórias, cadeia e Malvinas

19 Janeiro 2008

     A sexta-feira, 18 de janeiro, foi dia de passeio para Celso e Dalgio. Mas nada de moto!!! Eles deram uma voltinha de avião, desses pequenos que só cabem três passageiros. Sobrevoaram o Canal de Beagle, avistando toda a costa da Argentina – até onde os olhos alcançam, claro. Dizem que o Dalgio ficou com medo – até mais que isso – e teria inclusive recusado um convite para ser co-piloto da aeronave. Dizem.
     Esse episódio ele mesmo terá que esclarecer em qualquer churrasco do Motogrupo Floripa. Certamente, eles terão que contar outras histórias que ouviram no Ushuaia. Neste post, vai um aperitivo do que eles ouviram no 16º sol da jornada:

Ushuaia:
Após o vôo, Celso e Dalgio fizeram um outro passeio, dessa vez de barco, pela Baía de Ushuaia, conhecendo o farol do Fim do Mundo e uma das ilhas em que há muitos leões marinhos e aves. De quebra, ganharam uma aula de história da guia. Disse ela assim (mas em espanhol, claro):
     “Esta região era habitada por nativos que viviam em paz. O nome Ushuaia, na língua deles, significava ‘a cidade atrás do monte’ (A Cordilheira dos Andes, ‘desce’ de norte a sum nas chegando na Terra do Fogo, faz uma curva de 90 graus e, para se chegar no Ushuaia, necessita passar pela cordilheira). Os índios foram dizimados pelo homem branco em 120 anos. Foi por volta de 1880 que o homem branco – entenda-se grandes estancieiros e seus capachos -  chegou naquela região justamente para construir a cadeia (relato abaixo). Trouxeram junto o cordeiro patagônico – que nada mais é que uma ovelha. Até então, os índios viviam da caça e pesca. Como este cordeiro era bem mais fácil de ser caçado, deu-se o confronto e a corda estourou no lado mais fraco. Os índios começaram a ser perseguidos e, conseqüentemente, dizimados. Tem uma história: que o Senhor Menendez – um grande estancieiro – contratava matadores e pagava-os quando esses apresentavam orelhas de índios…”

Cadeia da Patagônia:
Após ouvirem essa e outras histórias no barco, Celso e Dalgio foram a tal cadeia, que hoje é um museu – montado depois da desativação da prisão. A história é a seguinte: o governo argentino, isso no final do século XIX, decidiram colonizar a região com homens e mulheres presos, imaginando que lá eles nunca fugiriam. Não foi bem o que aconteceu. Os presos conseguiam com seus comparsas meios marítimos para saírem. Um dos motivos para a fuga é que havia muito mais homens do que mulheres. E isso num baita frio ainda… Em 1947, a cadeia foi desativada para atender movimentos de direitos humanos.

“Las Malvinas son argentinas. Ahora y siempre”
Segundo contam, até 1982, ninguém tinha titularidade reconhecida por organismos internacionais sobre o arquipélago das Malvinas. Os argentinos se consideravam donos, como sempre se consideraram. O problema era que o povo que vivia na ilha se achava inglês. Ninguém dava muita importância para essa história até que o General Leopoldo Galtieri, então presidente argentino, após ter perdido a copa de 1982, tentou dar uma reanimada nos ânimos portenhos e foi tomar as ilhas. Os argentinos dizem que só fizeram isso. Pensavam que a Inglaterra, no outro lado do oceano, não ia dar bola para aquelas ilhazinhas no sul da América do Sul. Ledo engano. O Chile apoiou os ingleses, que montaram uma base militar em Punta Arenas e acabaram a força argentina em dois dias…
     Dizem que uma semana antes da tomada das Malvinas, houve uma grande manifestação contra o governo na Plaza de Mayo. Reclamavam por empregos. Uma semana depois dessa manifestação, o mesmo pessoal voltou a praça aplaudindo o governo. Hoje, o que dizem por aí, é que o Galtieri era um baita borracho. Pode até ser, mas 907 perderam a vida nesse episódio. 


15º dia – passaporte carimbado, amizade e Fim do Mundo

18 Janeiro 2008

     E o vento só enfraqueceu na manhã seguinte, 16 de janeiro – 15º de viagem. Celso e Dalgio partiram rumo ao grande destino da viagem: Ushuaia. O que você faria no Fim do Mundo? Celso e Dalgio carimbaram os respectivos passaportes para dizer que sobreviveram a ele.
     Mais amizade no Ushuaia. Nossos viajantes conheceram o canadense Thomas, um cara bem mais aventureiro que eles. Thomas veio de moto lá do Canadá, deu uma banda no Alasca também. Começa a retornar junto com os brasileiros e na volta por nosso país tupiniquim, comerá churrasco em Floripa.


14º dia – vento, aventura e paciência

18 Janeiro 2008

     O 14º dia de viagem foi de aventura para Celso e Dalgio. Eles saíram de Punta Arenas – no Chile – para conquistar o Ushuaia – na Argentina. Mas quem disse que essa conquista seria fácil? Obstáculos naturais os atrapalharam bastante e quase os fizeram desistir.
     Já no começo do trajeto, uma leve brisa de 100 km/h, com rajadas de 120, dificultou as coisas. Eles atravessaram o Estreito de Magalhães, de balsa, para em seguida enfrentar 110km de ripio – “um tipo de estrada de chão batido com muitas pedras soltas, com todo esse vento de lado. Houve momentos que era dificil manter a moto em pe, apesar de parada”, revela Celso.
     Eles chegaram a pensar que não ia dar, que não iam conseguir, mas, lentamente, bem lentamente mudaram a situação e reverteram o jogo e depois de quatro horas, completaram o percurso de 110km. Quem precisa de pressa numa viagem dessas?
     Celso e Dalgio chegaram na fronteira dos dois países – na região conhecida como Terra do Fogo – cerca de 16h. Instalaram-se em uma hospedaria para mochileiros para esperar o vento abrandar e seguir viagem. No entanto, o vento não diminuía consideravelmente e eles passaram a noite por lá mesmo. Afinal, pra que a pressa?