A sexta-feira, 18 de janeiro, foi dia de passeio para Celso e Dalgio. Mas nada de moto!!! Eles deram uma voltinha de avião, desses pequenos que só cabem três passageiros. Sobrevoaram o Canal de Beagle, avistando toda a costa da Argentina – até onde os olhos alcançam, claro. Dizem que o Dalgio ficou com medo – até mais que isso – e teria inclusive recusado um convite para ser co-piloto da aeronave. Dizem.
Esse episódio ele mesmo terá que esclarecer em qualquer churrasco do Motogrupo Floripa. Certamente, eles terão que contar outras histórias que ouviram no Ushuaia. Neste post, vai um aperitivo do que eles ouviram no 16º sol da jornada:
Ushuaia:
Após o vôo, Celso e Dalgio fizeram um outro passeio, dessa vez de barco, pela Baía de Ushuaia, conhecendo o farol do Fim do Mundo e uma das ilhas em que há muitos leões marinhos e aves. De quebra, ganharam uma aula de história da guia. Disse ela assim (mas em espanhol, claro):
“Esta região era habitada por nativos que viviam em paz. O nome Ushuaia, na língua deles, significava ‘a cidade atrás do monte’ (A Cordilheira dos Andes, ‘desce’ de norte a sum nas chegando na Terra do Fogo, faz uma curva de 90 graus e, para se chegar no Ushuaia, necessita passar pela cordilheira). Os índios foram dizimados pelo homem branco em 120 anos. Foi por volta de 1880 que o homem branco – entenda-se grandes estancieiros e seus capachos - chegou naquela região justamente para construir a cadeia (relato abaixo). Trouxeram junto o cordeiro patagônico – que nada mais é que uma ovelha. Até então, os índios viviam da caça e pesca. Como este cordeiro era bem mais fácil de ser caçado, deu-se o confronto e a corda estourou no lado mais fraco. Os índios começaram a ser perseguidos e, conseqüentemente, dizimados. Tem uma história: que o Senhor Menendez – um grande estancieiro – contratava matadores e pagava-os quando esses apresentavam orelhas de índios…”
Cadeia da Patagônia:
Após ouvirem essa e outras histórias no barco, Celso e Dalgio foram a tal cadeia, que hoje é um museu – montado depois da desativação da prisão. A história é a seguinte: o governo argentino, isso no final do século XIX, decidiram colonizar a região com homens e mulheres presos, imaginando que lá eles nunca fugiriam. Não foi bem o que aconteceu. Os presos conseguiam com seus comparsas meios marítimos para saírem. Um dos motivos para a fuga é que havia muito mais homens do que mulheres. E isso num baita frio ainda… Em 1947, a cadeia foi desativada para atender movimentos de direitos humanos.
“Las Malvinas son argentinas. Ahora y siempre”
Segundo contam, até 1982, ninguém tinha titularidade reconhecida por organismos internacionais sobre o arquipélago das Malvinas. Os argentinos se consideravam donos, como sempre se consideraram. O problema era que o povo que vivia na ilha se achava inglês. Ninguém dava muita importância para essa história até que o General Leopoldo Galtieri, então presidente argentino, após ter perdido a copa de 1982, tentou dar uma reanimada nos ânimos portenhos e foi tomar as ilhas. Os argentinos dizem que só fizeram isso. Pensavam que a Inglaterra, no outro lado do oceano, não ia dar bola para aquelas ilhazinhas no sul da América do Sul. Ledo engano. O Chile apoiou os ingleses, que montaram uma base militar em Punta Arenas e acabaram a força argentina em dois dias…
Dizem que uma semana antes da tomada das Malvinas, houve uma grande manifestação contra o governo na Plaza de Mayo. Reclamavam por empregos. Uma semana depois dessa manifestação, o mesmo pessoal voltou a praça aplaudindo o governo. Hoje, o que dizem por aí, é que o Galtieri era um baita borracho. Pode até ser, mas 907 perderam a vida nesse episódio.
